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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Realpolitikinha

Realpolitikinha

Por Luis Fernando Veríssimo

“Realpolitik” é um termo alemão que significa política realista, pragmatismo, o sacrifício de ideais puros por objetivos práticos e o uso de meios espúrios para fins supostamente nobres. Resumindo: “realpolitik” é o nome que se dá ao processo pelo qual você vota no PT e elege o PMDB.

O chanceler Otto von Bismarck, que dominou a política alemã durante boa parte do século dezenove, era adepto da “realpolitick” mas o melhor exemplo que deu, sem querer, da sua tática nada teve a ver com questões de estado. Está no livro do Edmund Wilson Rumo à Estação Finlândia. Bismarck disse ao socialista Ferdinand Lassalle que se ele pretendia ter sucesso na política deveria 1) adquirir uma propriedade rural e 2) casar com uma mulher feia. A propriedade rural lhe daria uma respeitabilidade senhorial que o ajudaria mesmo na sua pregação socialista e a mulher feia, presumivelmente, não o manteria em casa, liberando-o para a vida pública. Uma receita pouco romântica, mas realista e prática.

O caso mais notório de “realpolitik” em ação foi o pacto de não agressão entre a Alemanha nazista e a União Soviética de Stalin, em 1939. O pacto durou pouco – acabou quando a Alemanha invadiu a Rússia – mas foi o bastante para desencantar comunistas no mundo inteiro. As recentes revelações de correspondência diplomática secreta mostram como a “realpolitik” ainda rege as relações internacionais. Não há exemplo atual maior do sacrifício de ideais pela conveniência, ou de hipocrisia, do que os trinta anos de amizade dos Estados Unidos com o Egito de Mubarak, que não era menos ditador antes de começarem os distúrbios.

Claro, não vamos comparar as alianças politicas feitas pelo PT para poder governar nem com Hitler nem com Stalin nem com qualquer outra calhordice histórica – mas a realpolitikinha exemplificada pela receita matrimonial do Bismark eu acho que cabe. O PT abandonou seus ideais românticos e casou com uma mulher feia que obviamente não ama, mas que o ajudará na sua carreira.

Em tempo: não sei se Lassalle seguiu o conselho de Bismark. O Google acaba de me informar que ele morreu num duelo causado por ciúmes. Vê com quem você está se metendo, PT!

Inscrições Escola Internacional de Cinema e TV de Cuba


A Coordenação dos Exames de seleção para a EICTV no Brasil comunica a todos que estarão abertas até o dia 11 de março as inscrições para o Processo Seletivo 2011 / 2014. As provas serão aplicadas nos dias 18 e 19 de março, em cinco cidades: Belo Horizonte / MG, Recife / PE, Florianópolis / SC, Goiânia / GO e Belém / PA.

Mais informações:

http://curtaminas.com.br/

http://www.eictv.org/eictv/view/index.jsf

sábado, 19 de fevereiro de 2011

FAPEMA MOVIMENTO ESSA TETA É NOSSA!!!

No estado do Maranhão, capital tem 4 mil alunos sem aula por não haver salas suficientes e a universidade estadual tem a luz elétrica cortada por falta de pagamento. Das 27 unidades federativas do país, o Maranhão alcança posição 26ª posição em notas no ENEM e possui as 5, dentre as 20, piores escolas do país. A Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão – FAPEMA distribuiu bolsas para aliados da governadora Roseana Sarney sem ao menos estarem inscritos em alguma pesquisa ou programa de ensino, ou seja, apenas para apoiarem-na em um ano eleitoral.

A FAPEMA tem como objetivo estimular a ciência e a tecnologia no Maranhão, proporcionando aos pesquisadores maranhenses as condições para a realização de projetos de pesquisa e intermediando a transformação do conhecimento científico como instrumento capaz de contribuir para a redução das assimetrias sociais. É também objetivo da FAPEMA contribuir para a divulgação da ciência e tecnologia, formação de recursos humanos, fomento à pesquisa, proteção intelectual e disseminação da cultura de inovação tecnológica. ¹

Enquanto o estudante tem que se contentar com uma mísera bolsa de R$ 360,00, os aliados adquiridos pela governadora ganham de R$ 2.000,00 a R$ 32.000,00. E nós, estudantes, ainda temos que apresentar relatórios. E eles, apenas conquistarem apoio.

Por isso, os estudantes maranhenses querem respostas a estes escândalos e exigem que a FAPEMA cumpra, de fato, seu papel com o povo maranhense. Não aceitamos que os deputados maranhenses se calem diante dessa desmoralização com o ensino do estado. Queremos a CPI da FAPEMA.



APOIO: UNE UBES UESMA

MOVIMENTO ESSA TETA É NOSSA!!!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Nota oficial - UNE e UBES defendem novo Enem opcional a todos os prejudicados

Na proposta das entidades, aqueles que fizeram o exame aplicado no último final de semana, terão sua nota garantida. Já os estudantes que se sentirem prejudicados teriam o direito a pedir nova prova

Diante dos fatos ocorridos na aplicação das provas do Enem no último final de semana, as entidades estudantis UNE e UBES voltaram a se manifestar publicamente nesta terça-feira. Leia a íntegra da nota:

1. A UNE e a UBES se posicionam contra a anulação do ENEM 2010. Milhões de estudantes realizaram a prova em condições adequadas, prepararam-se, e a anulação da prova seria cometer uma injustiça com esta grande maioria.

2. A UNE e a UBES são intransigentes na defesa de que os estudantes prejudicados tenham o direito a realizar uma nova prova. Nenhum estudante pode ser prejudicado sob o risco de descredibilizar o ENEM.

3. A UNE e a UBES exigem que o MEC determine OBJETIVAMENTE os critérios para que os estudantes tenham direito a este novo exame. Se o MEC não tiver condição de determinar estes critérios, a UNE defende que o critério seja opcional, ou seja, todos aqueles que se disserem prejudicados devem ter o direito a esta nova prova. O estudante que optar por não fazer esta nova prova deve ter garantida a sua nota inicial.

4. A UNE e a UBES permanecem aguardando a retratação do MEC em relação ao post publicado no twitter da Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Educação.

5. A UNE a UBES reivindicam a criação de um Instituto Federal que será o responsável pela aplicação das provas do ENEM.

6. A UNE a UBES reivindicam ainda a marcação de uma audiência com o ministro da Educação para que representantes das entidades estudantis e um grupo de estudantes prejudicados possam discutir os pelos problemas ocorridos no ENEM.

7. Defender o Enem é, antes de tudo, corrigir os seus erros. A UNE e a UBES voltam a ressaltar que NÃO se somam àqueles que se utilizam de equivocos para derrotar o ENEM. Na opinião da UNE e da UBES, o ENEM deve se consolidar na direção da democratização da universidade brasileira como são os casos do ProUni e da seleção de dezenas de universidades federais pelo país, superando o velho modelo do vestibular, cruel método de acesso ao ensino superior no pais. O Enem é também elemento fundamental na construção do Sistema Nacional da Educação.

9 de novembro de 2010
União Nacional dos Estudantes (UNE)
União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Declaração de voto de um jovem reacionário


Declaração de voto de um jovem reacionário

Para quem não me conhece, eu moro em uma cobertura no Leblon, bairro da zona sul do Rio de Janeiro de frente para o mar. Nunca trabalhei, nem meu pai, mas meu avô sim, sempre trabalhou muito, dando duro no laborioso mercado especulativo financeiro.

Graças à vida dura de meu avô e à herança que por ele nos foi deixada, hoje podemos morar não só no Leblon, como podemos ter algumas fazendas no interior do Mato Grosso. Para se ter uma idéia de como meu avô foi um grande trabalhador, hoje a soma de todas nossas fazendas tem o tamanho da área de um país como a Bélgica, não é fantástico?

Mas não é sobre isso que quero falar. Quero explicar por que nessas eleições eu votarei na direita reacionária e conservadora. Voto em José Serra, pois ele é o único candidato que realmente se compromete em abaixar os impostos. Pois acho injusto ter que dividir com o Estado o dinheiro da herança de meu avô que foi um homem bastante trabalhador.

Acho injusto que o dinheiro de minha herança vá para o Estado, para que este Estado dê o meu dinheiro para os pobres do Nordeste poderem fazer três refeições ao dia. Afinal de contas, se esses nordestinos são pobres é porque eles são preguiçosos e não querem arrumar emprego. Se eles trabalhassem que nem o meu avô eles poderiam ter uma cobertura no Leblon como eu tenho.

Voto em José Serra, pois ele prega em seu programa de governo a implementação de um Estado Mínimo, conseqüência da diminuição dos impostos. Para quem não sabe o Estado Mínimo é aquele que serve ao mercado financeiro, à propriedade privada. A função do Estado mínimo é proteger a propriedade. Saúde e educação pública são supérfluos. Afinal de contas, graças a herança deixada por meu avô posso pagar colégio e universidade particular, posso ter um plano de saúde de qualidade e me internar no Copa D´or quando eu quiser.


Voto em José Serra, pois tenho certeza absoluta de que ele acabará com esse tal de Prouni. Onde já se viu isso? Meu dinheiro, via imposto, vai para estudantes de escolas públicas terem acesso à Universidade. Não posso aceitar isso, é injusto demais comigo. Eu só admito pagar imposto se for para ter um estado que garanta a minha segurança e a de minha propriedade. Pois nos dias de hoje, em que esses vagabundos invejosos do MST ficam invadindo minhas fazendas, é preciso cada vez mais uma justiça e uma polícia que possa criminalizá-los. Por tudo isso eu voto em José Serra para presidente.

domingo, 27 de junho de 2010

No TWITTER: Altemar Lima anuncia o apoio do PPS a candidatura de Flávio Dino

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sábado, 26 de junho de 2010

Flávio Dino e o Maranhão de Ignácio Rangel

Reproduzo abaixo texto do meu amigo Elias Jabbour sobre a situação do Maranhão. O texto, que foi publicado pela Fundação Mauricio Grabois, apresenta as semelhanças entre os maranhenses Flávio Dino e Ignácio Rangel. Para os desavisados, Elias é um profundo admirador da obra de Rangel, mantendo seu pensamento vivo com unhas e dentes.

Flávio Dino e o Maranhão de Ignácio Rangel


Por Elias Jabbour


Ignácio de Mourão Rangel foi o mais completo pensador brasileiro do século XX. Maranhense de formação jurídica, tornou-se economista, levado que foi a sê-lo diante dos desafios que a compreensão do Brasil – e de seu futuro – colocavam em sua mente. Militante político, marxista e desenvolvimentista, Rangel encerra não somente as melhores tradições do pensamento nacional brasileiro e maranhense. Sua história é o contraponto não somente das tentativas neoliberais de assalto ao futuro do Brasil, mas também o contraponto a uma das mais violentas oligarquias feudais que ainda hoje respira poder em seu estado natal.



Filho de um juiz de direito, diz que as trilhas do Maranhão encerravam mais do que caminhadas idílicas pelo Estado. Encerravam a caçada aos liberais oposicionistas da “República do Café com Leite” pela via de transferências cotidianas de comarcas.

Flávio Dino, 42 anos de idade. Juiz de direito, deputado federal pelo PCdoB e filho do nobre deputado Sálvio Dino, que teve seu mandato cassado pela ditadura militar. Ditadura esta em cujos quadros de sustentação figurou José Sarney, notadamente o maior inimigo do progresso do Maranhão. Flávio Dino é uma das maiores revelações da política brasileira recente, um “marxista cristão”, no melhor sentido que o termo pode revelar. Com uma obstinação única, colocou em suas costas o desafio de livrar o Maranhão – de uma vez por todas – das raias da miséria e da degradação política e social. As coincidências entre esses dois grandes brasileiros e maranhenses não param por aí: Rangel foi produto de um Brasil que começava a tomar o destino em suas mãos. Como Sérgio Buarque de Hollanda e Gilberto Freyre, Rangel era de uma geração fascinada pelo Brasil novo que nascia com a Revolução de 1930, encabeçada pelo patriota e estadista Getúlio Vargas.

Flávio Dino, por sua vez, é a negação de um país que fora quase que condenado a retornar a um destino sonhado por muitos intelectuais pessimistas da década de 1920 do ano passado. É expressão do Brasil de Lula, do Brasil que volta a pensar grande e de um “povo que não desiste nunca”. É expressão da necessidade de implementação de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento para o Brasil e para o Maranhão. O Maranhão não pode ser condenado ao retorno à Idade da Pedra.

Em uma das últimas visitas ao seu estado natal, Ignácio Rangel levantou inúmeras hipóteses de desenvolvimento futuro de seu Maranhão. Ao contrário dos teóricos do "subdesenvolvimento", para Rangel o Nordeste (e o Brasil) não é um binômio de atraso e estagnação, mas sim de atraso e dinamismo. Logo, para Rangel o desenvolvimento do Maranhão deveria se pautar por uma história de dinamismo único no Nordeste, o qual, no entanto, foi se perdendo ao longo do século XX. Esse desenvolvimento estaria centrado basicamente na edificação de uma diversificada indústria, lastreada em um moderno sistema de transportes. Eis o caminho antevisto por Rangel para colocar esse Estado “numa posição de elite, no vigoroso organismo em que se converteu o Brasil”. Para o Maranhão alcançar esse objetivo, segundo Rangel, seria necessário condenar o estado a “pensar grande”.

Ora, no concreto, o que significa essa condenação ao “pensar grande”? O que se encerra em tal expressão? Condenar o Maranhão a “pensar grande” passa necessária e definitivamente pela eleição de Flávio Dino ao governo desse maravilhoso estado. Repito: o Maranhão não pode ser condenado ao retorno à Idade da Pedra.

Elias Jabbour é doutorando em Geografia Humana pela FFLCH-USP